Amazônia: maior patrimônio ambiental brasileiro sofre com a ação do homem


A Amazônia é o maior bioma brasileiro e possui a maior floresta tropical de todo o mundo. Ela se estende por mais oito países: Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Peru e Suriname. Nela está presente a maior biodiversidade de todo o planeta: metade das espécies vegetais e animais do mundo podem ser encontradas lá. Além disso, a Floresta Amazônica abriga a maior bacia hidrográfica da Terra, com 7 milhões de quilômetros quadrados, cortada por milhares de rios, entre eles o Rio Amazonas. Uma verdadeira mina de ouro natural, que está sendo destruída, a cada ano que passa, pelos desmatamentos e queimadas ilegais.


O clima da Amazônia é equatorial, caracterizado por elevadas temperaturas e grande índice pluviométrico. Ela tem um importante papel na regulação do clima da América do Sul. Segundo pesquisas do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), é a Amazônia a responsável por manter o clima ameno e em condições naturais em diversas regiões do continente Sul Americano. Ela influencia também o regime de chuvas de todo o Brasil, já que as árvores “transpiram” vapor de água o tempo todo. Em média, 99% da água absorvida por elas são perdidas para o ambiente por meio da transpiração, que ocorre principalmente nas folhas das plantas através de estruturas chamadas estômatos. Tais estruturas são ricas em cloroplastos (organelas presentes nas células vegetais que realizam a fotossíntese) e possuem uma abertura que leva o nome de Ostíolo, por onde a água é eliminada para o ambiente externo.


Ainda sobre os benefícios ambientais da Amazônia, um estudo da NASA, publicado em 2014, revelou que a Floresta Amazônica contribui diretamente com a redução do aquecimento global. Apesar de liberar uma grande quantidade de dióxido de carbono durante a decomposição de árvores mortas, a floresta absorve muito mais esse gás pelo processo da fotossíntese, diminui sua quantidade na atmosfera.


Os dados de desmatamento da Floresta Amazônica seguem crescendo de forma alarmante. De acordo com Deter-B (Detecção do Desmatamento em Tempo Real), sistema de observação por satélite do INPE, vinculado do Ministério da Ciência e Tecnologia, em julho deste ano o desmatamento na Amazônia pode ter aumentado em 278% se comparado ao mesmo período de 2018. A área desmatada detectada em 2019 representa 2.254,9 km² de floresta, segundo o site Terrabrasilis, vinculado ao INPE. Em agosto deste ano, uma crise foi originada depois de diversas cidades, inclusive São Paulo, terem seus cenários invadidos por uma grande quantidade de fumaça, oriunda de queimadas ilegais na Floresta Amazônica.


Mas zerar esses dados negativos não é impossível. De acordo com a especialista em Amazônia do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, no seu relatório “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”, são necessárias ações individuais, coletivas e políticas para que o equilíbrio volte à Floresta, como: até 2030, investir no reflorestamento de 12 milhões de hectares de florestas; reduzir o desmatamento ao teto de 3.9 mil km² na região até 2020; e, também, reduzir 37% das emissões de gases de efeito estufa até 2025 (usando como referência a taxa de emissões domésticas de 2005).


Crise


No último dia 10 de agosto, produtores rurais da região Norte brasileira iniciaram um movimento conjunto para incendiar áreas da Floresta Amazônica, o que foi chamado de “Dia do Fogo”. Foram mais de 15 dias de queimadas, que acarretaram em problemas ambientais e de saúde para a população do Norte e Sudeste do país, principalmente por causa da grande quantidade de fumaça. O episódio gerou uma das maiores crises ambientais do Brasil. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Polícia Federal (PF).